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"Acredite em milagres, mas não dependa deles."
Immanuel Kant
 
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» TERAPIA CERTA
 

"TERAPIA CERTA", de Hernán Goldfrid, está no catálogo da Netflix.O título em espanhol é uma frase que todo paciente de Buenos Aires conhece. “Lo dejamos acá” significa, mais ou menos, “vamos parar por aqui”. Lembrando que a Argentina é o país com maior número de psicólogos (proporcionalmente) no mundo. Bem o personagem central é Ulises Verón (interpretado pelo gigante Ricardo Darín), um renomado terapeuta, perdeu a fé nas ferramentas psicológicas tradicionais para tratar seus pacientes com eficácia. A origem de sua desilusão é revelada na cena de abertura quando Ulises recusa um prêmio por acreditar que poderia ter feito mais para ajudar um paciente que faleceu recentemente vítima de um suicidio. Incapaz de se livrar da sensação de que a terapia convencional falhou com seu paciente, Ulises começa a questionar se a psicanálise, com sua dependência das palavras. Ele deveria ter conversado mais com seu paciente? Havia algo mais que ele pudesse ter feito como terapeuta? Ulises não tem respostas definitivas, mas chega a uma convicção: as palavras sozinhas não podem mais ajudar aqueles que buscam os serviços de psicanalistas profissionais. "Preciso de ação”. Eis que surge no consultório de Ulisses, Martín Bouchard (o talentoso ator Diego Peretti, que teve formação como psiquiatra antes de se tornar ator), escritor reconhecido que atravessa um bloqueio criativo. Ulises coloca em prática sua teoria da ação: vai até o apartamento de Martin e quando este fica bebado e dorme, ele escreve no computador. O psicanalista rasgou qualquer manual de ética. Ou seja, ele assume o papel do escritor. Humor ácido é inteligente que levou um filme produzido pela Netflix para o festival de Cinema de SAN Sebastian.

 
 
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Aniversári, de Jon Komasa, está disponível no catálogo do Prime Vídeo. Conta história de Ellen e Paul (Diane Lane e Kyle Chandler), ela professora universitária em Georgetown, ele um “chef” reconhecido nas altas rodas da capital dos Estados Unidos, cujas vidas começam a desmoronar quando Liz (Phoebe Dynevor) começa a namorar o filho deles (Dylan O'Brien). No aniversário de 25 anos de casamento onde os amigos e os 4 filhos (3 mulheres e um homem) forjados dentro de um ambiente liberal, apresenta Liz que não só é ex-aluna de Ellen, mas teve sua reputação destruída pela sua antiga professora, e abandonou a universidade. Agora Liz lança um livro “Change”, que sugere que exista um partido político único a governar os Estados Unidos”. Os ideais liberais são confrontados pelas ideias, vamos colocar bem entre aspas da jovem movida por um ressentimento das atitudes de Ellen no passado. Aniversário é um filme onde algumas atuações superam a qualidade da direção e do roteiro. Kyle Chandler entrega uma das melhores performances da carreira como um marido que quer que todos se deem bem e está convencido de que as coisas vão funcionar, até que não funcionam, e então ele se torna o último a resistir quando quase todos já se renderam. Não quero revelar muito sobre a trama, mas trata-se de um mundo onde uma ideologia específica ameaça dominar a todos. O filme tem uma série recorde de reviravolta ao longo da trama, que culminam na última meia hora. O final é forçado, exagerado. "Aniversário" desperdiça um elenco forte, porém os personagens são caricatos demais ou superficiais demais para que possamos entender suas ações. A prime vídeo provavelmente aproveitou os embates políticos brasileiros nesse período de eleições para que o filme tenha um número maior de “views” do que merece.

 
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