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"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida."
Sêneca
 
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» OS MISERáVEIS
 

"OS MISERÁVEIS", de Ladj Ly, esteve em cartaz nos cinemas até o início da pandemia. Evidente que os personagens do título não são os originais baseados na obra do escritor Victor Hugo. A idéia do diretor que teve o seu filme indicado pela França para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado, era de atualizar a trama, ou seja, mostrar o multiculturalismo que dominaria a terra em que o iluminismo deveria prevalecer. A situação não é bem essa. O filme ganha um grande impulso com as consequências da morte de George Floyd, negro norte-americano que foi assassinado por um policial branco, em Minneapolis, com repercussões em todo o mundo. Quem se baseia na presença de negros nas seleções de futebol e outros esportes, na França atual, não deve concluir que todas as etnias convivam de forma harmônica. O início do filme, que retrata o dia do final da copa do mundo de futebol ocorrida em 2018, na qual a população ocupa as ruas de Paris para comemorar a vitória dos gauleses no campo desportivo, pode iludir o espectador que o convívio entre a população francesa é caracterizada por tolerância. Errado. Ao acompanharmos a ação de três policiais - um deles negro e muçulmano - fiscalizando um conjunto habitacional na periferia de Paris, nos deparamos com os conflitos relacionados com o roubo de um tigre de um circo, seguido de um conflito que por pouco não se transforma numa grande catástrofe, vemos toda a falta de todas as características que supúnhamos fazer parte do corolário do povo francês: liberdade,fraternidade e fraternidade. Aliás, não se trata de algo que ocorra apenas na França.

 
 
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» DESTACAMENTO BLOOD
 

"DESTACAMENTO BLOOD", de Spike Lee, está disponível no Netflix. A guerra do Vietnã é o pretexto para o diretor nova-iorquino, ativista contra o racismo desde o seu filme "FAÇA A COISA CERTA", de 1989, voltar ao seu tema predileto: o racismo nos EUA. O destacamento Blood era composto por um grupo de amigos composto por Paul (Delroy Lindo), Otis (Clarke Peters), Eddie (Norm Lewis), Melvin (Isiah Whitlock Jr.), cuja liderança era de Stormin’ Norman (Chadwick Boseman), que faleceu na guerra do Vietnã no final dos anos 60. O grupo de sobreviventes decide voltar ao sudeste asiático para trazer os restos mortais de Stormin´ Norman, assim como recuperar uma quantidade expressiva de ouro que o grupo havia achado por acaso durante uma missão. O retorno é repleto de referências. A música genial de Marvin Gaye, na cena da boate em Saigon, "GOT TO GIVE IT UP", abre com chave de ouro o filme. Aliás, recomendo que vocês procurem no youtube a cena com toda a equipe de filmagem, incluso Spike Lee, dançam e se requebram com a música durante mais de cinco minutos. A menção a o maior filme sobre guerras, "APOCALYPSE NOW", informações históricas sobre a escravidão norte-americana, chegando ao informe de que George Washington, um dos pais fundadores dos EUA, possuiu 123 escravos, enfim, um "desfiladeiro" de fatos que vão explicar o estágio do racismo na América atual. À época da guerra do Vietnã, 12 porcento da população norte-americana era composta por negros, sendo que estes compunham mais que o dobro do soldados na linha de frente de batalha. O erro do roteiro de Spike Lee é ter um certo grau de preconceito contra os vietnaminas. Está longe de ser um dos grandes filmes do diretor, mas sua temática é mais do que necessária no momento conturbado no qual vivemos.

 
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