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"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida."
Sêneca
 
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» O PREçO DA VERDADE
 

"O PREÇO DA VERDADE", de Todd Haynes, está em cartaz no Pátio Iporanga, no Cineflix e no Cinemark. Conhecido mundialmente por seu filme "CAROL", que foi considerado pela crítica um dos melhores do ano de 2016, Todd Haynes agora se aventura pelo cinema investigativo à la "TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE", obra simbólica dos anos 70. Baseado em fatos reais que demonstraram que a criação do Teflon, produto que evita que ovos, por exemplo, não ficassem grudados, que elevou os lucros de uma das indústrias mais poderosas do mundo, a DuPont, subir a níveis estratosféricos, deixou um número enorme de vítimas humanas e animais. O produto PFOA, formado por uma cadeia composta de 8 carbonos, tóxica, era atirado nas águas dos rios de Parkersburg, cidade de West Virginia, sendo que os estudos realizados pela própria companhia demonstravam o aumento na incidëncia de vários tipos de câncer. A despeito disso o capitalismo das grandes corporações não tomou medida alguma para evitar que a população local - e todos aqueles que já usaram algum produto com teflon - sofresse com tais efeitos nocivos. Robert Billot (Mark Ruffalo, também produtor do filme), advogado, é procurado por um fazendeiro cuja propriedade era vizinha a uma das fábricas da DuPont, para defendê-lo, já que seu gado (mais de 190 animais) morreu devido à água que ingeriam. O filme é linear, seguindo duas décadas de investigação e da sucessão de eventos que culminaram na punição da DuPont. A previsibilidade é e evidente, porém a denúncia sobre os excessos e a falta de escrúpulos do mundo corporativo dão uma lufada de dinamismo à narrativa. Ruffalo, Anne Hathaway, Bill Pullman, Bill Camp, Tim Robbins (como o chefe do escritório de advocacia para o qual Billot trabalha) formam um elenco que segura a peteca quando a narrativa ganha contornos de tédio. Nao sei o que John Denver acharia do estado da West Virginia, cantado nos versos de "Country road (take me home)", com suas águas escuras de tantos poluentes.

 
 
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» LUTA POR JUSTIçA
 

"LUTA POR JUSTIÇA", de Destin Daniel Cretton, está em cartaz nos cinemas da região. Há várias citações e semelhanças entre este filme e o livro icônico de Harper Lee, "O SOL É PARA TODOS", que rendeu o Oscar a Gregory Peck. A questão em comum, o racismo no sul dos Estados Unidos. Em 1988, Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), um advogado negro, recém formado na prestigiosa universidade de Harvard, decide abandonar oportunidades que lhe dariam um retorno financeiro enorme e rápido, para assumir a defesa de pessoas que estavam no corredor da morte, no Alabama. Fundamental mencionar que o próprio Stevenson era de origem humilde. O filme é uma adaptção do livro de memória de Stevenson, que juntamente com uma organização que trabalhava em defesa de justiça igualitária para todos os presos, e, o que é importante, provia advogados com real interesse em defender os presos. O caso principal é o de Walter McMillian Jamie Foxx), acusado de assassinar uma mulher branca na cidade de Monroeville em 1986, e foi condenado à morte. Stevenson, com ajuda de sua assessora branca (Brie Larson) descobrem diversas contradições nas provas que foram utilizadas para condenar Walter, mais conhecido pelo codinome Johnny D. Demonstrar que a polícia local precisava encontrar um bode expiatório ideal para que a imprensa e a comunidade local ficassem satisfeitas, e nada melhor que mirar num negro pobre para saciar a fome de justiça que o caso levantou. Apesar da atuação caricatural de Michael B. Jordan e da duração excessivamente longa do filme, não dá para ficar insensível às causas defendidas e à perseverança do senhor Stevenson.

 
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